Entrevista com Weimar Pettengil
Weimar Pettengill, nascido pantaneiro, criado candango, com o coração perdido nas pedras de Minas Gerais.Com 38 anos e quase isso de prática de esportes de aventura – quando criança, adorava fugir da escola para tentar atravessar o Rio Aquidauana a nado, no alto dos 07 anos…
Lá se vai um bom tempo. Na adolescência, pratiquei canoagem, passei para corridas de moto – uma breve temporada foi suficiente para trocar o autódromo pelo barro. Das provas de Enduro e Rally, passei para o Mountain Bike. Na sequência, quatro anos de dedicação total à escalada esportiva, com algumas conquistas – como a primeira tentativa de ascensão da Cachoeira do Taboleiro e alguns Canyons em Furnas, alguns Big Walls – nada relevante, mas uma paixão absoluta por boulders e graus complicados – a Serra do Cipó era o quintal da minha casa.
De volta ao cerrado em 2001, passei a me dedicar ao mountain bike (dezenas de provas e viagens – Pantanal, Chapada dos Veadeiros, Nordeste, Canastra, e a melhor de todas: Brasília – Paraty), ao ciclismo, à Corrida de Aventura, ao triatlo… ufa! Nem lembrava de tudo isso! Pra completar, agora estou me dedicando à Ultramaratona: pretendo obter minha primeira conquista em dezembro de 2009. Ah! Alguns trekkings legais também, como Caraça – na companhia de Fábio França, Petrô-Terê, Lapinha do Cipó – Taboleiro, Kalungas, Chile…
Em 1997 comecei com o desbrava.com, que já fez história em sua breve existência: organizamos o Desbrava Centro-Oeste – circuito de três provas de corrida de aventura, incluindo a terceira maior da América Latina à época: 330 km. Também temos as marcas 100 km de Cerrado, GP de Montanha, Desafio dos Pireneus, Barra Fest, i-MTB, e participamos ativamente do Brasília Multisport – defendendo a bandeira dos esportes possíveis no Cerrado.
Na área de consultoria empresarial, também me ocupo em levar grupos de empresários e executivos para conhecer os esportes outdoor, fazendo analogias ao ambiente de trabalho.
ABRESCA – Como surgiu a idéia da ida à Paraty com o Adauto?
WP - Treinando para o Brasília Multisport de 2008. Pensei na Estrada Real, e logo emendei: Se vou pedalar 800 km, porque não pedalar 1.800? Então me lembrei da tandem que havia comprado e decidi dar uma oportunidade a quem dificilmente teria. O Adauto foi um achado! Nunca tinha convivido com um deficiente visual, e não tinha a menor ideia de que a viagem seria tão rica quanto de fato foi.
ABRESCA – Como era a rotina de vocês na viagem? Horas pedalando, faziam a alimentação? Dormiam onde?
WP - O plano era ambicioso e sem margem para erros ou corpo mole. Se atendido, chegaríamos a tempo de comer e dormir. Sempre pulando de cidade em cidade. No começo, as metas foram muito fortes, por absoluta falta de infra-estrutura no caminho: 160 km, 140 km, 200 km, 180km – essas foram as distâncias percorridas nos primeiros dias. Horas e horas pedalando, consumo energético beirando a insanidade, desidratação sempre por perto, apesar de consumir até 17 litros de líquido em menos de 24 horas. Nunca imaginei que o corpo reagisse da maneira que o fez. O livro Brasília – Paraty, Somando pernas para dividir impressões conta detalhadamente o que foi para nós essa odisseia.
ABRESCA – Conta um pouquinho sobre a Desbrava, como surgiu, quais eram os objetivos e se mudaram com o passar do tempo.
WP – Na verdade, o Desbrava surgiu com o propósito de me permitir viver com os esportes de aventura. Não queria que fosse um hobby, queria uma profissão. Trouxe essa ideia quando voltei de BH para Brasília. Bati muito a cabeça até chegar ao modelo atual.
João Paulo Barbosa – fotógrafo e explorador, Diana Nishimura – canoísta e corredora de aventura, e Fábio França – navegador e explorador. Os três participaram ativamente do “parto” do desbrava.com, e juntos tentamos viabilizar o sonho. Depois cada um foi se dedicar aos seus projetos, e eu continuei na busca de um modelo de negócio.
Recentemente, na Adventure Sports Fair 2009 em SP, percebi que na verdade todos os envolvidos com Esporte & Aventura ainda tentam achar a fórmula mágica no Brasil. Poucos estão perto de desvendá-la. Mas continuo acreditando que o momento é fértil, as oportunidades estão acontecendo.
ABRESCA – O que podemos esperar do Bloco Esporte e Aventura na CBN?
WP - A CBN foi uma dessas oportunidades. Quando uma rádio como esta abre espaço para um tema, pode-se dizer que o assunto conquistou sua relevância. Nossa proposta é abrir um canal de serviço junto ao ouvinte, com agenda, movimentos, aberturas de calendário, cobertura de eventos, enfim, movimentar e despertar o interesse.
Tudo isso passa pela busca de conhecimento, foco que pretendemos dar nos primeiros programas, com entrevistas de profissionais da área, atletas, administradores de áreas propícias à prática de esportes de aventura, e por aí vamos.
ABRESCA – Quais são teus próximos projetos?
WP - O próximo grande projeto é a Ultramaratona Pantanal 120k. Quando terminamos a viagem de Paraty, o Adauto – companheiro de empreitada – pediu que organizasse algo especialmente para ele. Seu sonho era correr longa distância em um terreno inóspito. Escolhemos o Pantanal. Volto para minha terra natal para mostrar a ele os encantos do Mar de Xaraés.
Além da temperatura beirando os 43 graus, umidade de aproximadamente 95%, ainda temos piranhas, jacarés, sucuris, onças e toda a sorte de vida silvestre como testemunha. Conseguimos apoio do Governo do Estado do MS, do SENAI, do Senado Federal, e com a produtora Cinevideo vamos fazer um documentário contando a saga.
Como diz o Adauto: Tem muita gente querendo VER o Pantanal, inclusive ele.
ABRESCA – Qual o último livro que leste?
WP – Na verdade, estou com três projetos simultâneos: revisitando o sofrimento de Tocando o Vazio de Joe Simpson, conhecendo o mundo com o Projeto Peregrino de Jorge Elage e me martirizando em uma prisão siberiana, pós levante Decembrista na Rússia de 1825, em Recordações da Casa dos Mortos de Fiódor Dostoiévski – não perco essa mania de fazer uma salada de frutas de livros, misturados às revistas semanais e o jornal de domingo!
Mas como recomendação, nada me deixou tão entusiasmado ultimamente quanto Uma Breve História do Mundo, com a sequência lógica Uma Breve História do Século XX, ambos de Geoffrey Blainey. Recomendo. Não trazem muita novidade, mas organizam a passagem humana na terra de uma forma magistral, com perspectivas inovadoras.
ABRESCA – O que toca no teu mp3 últimamente?
WP – Agora a resposta fica definitivamente complicada. De Antonio Nóbrega a Zeca Baleiro, tudo. Do bom e velho rock às polcas paraguaias – já preparando a alma pra viver momentos únicos na fronteira Brasil, Bolívia e Paraguai. Surpreso fiquei com o disco acústico MTV do Ira! Muito bom. Quando começa uma música deles, no meio da corrida, o sorriso vem fácil, de orelha a orelha.
ABRESCA SERVIÇO:
1.Quem ficou interessado no livro, clica aqui para comprar.
2.Ouça o Bloco Esporte e Aventura, segundas e sextas-feiras, 11h45 na CBN (www.cbn.com.br).
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mto bom termos mais este canala de comunicação.
o movimento montanhistico agradece…
[]’s
Como é bom poder curtir histórias como a desse maluco e saber que por ai existem pessoas superando a inércia da vida moderna.